domingo, 18 de abril de 2010

Truculência policial marca eleição indireta no Distrito Federal


Com uma hora de atraso as 16:00h deste sábado 17 de Abril, teve início as eleições indiretas na Câmara Legislativa do Distrito Federal e também uma violenta repressão polical aos manifestantes que se colocaram contra as eleições indiretas, os manifestantes tentaram entrar nas galerias da CLDF, que fi proibido pela direção da casa. Centenas de manifestantes foram truculentamente repreimidos pela PMDF qundo estes tenteram entrar na camara legislativa, de spray de pimenta a golpes de cassetete na cabeça e chutes nos manifestante teve nessa contestável eleição. Com cabeça, pernas ensanguentada e vários ematomas pelo corpo cerca de quatro manifestante foram levados ao hospital de Base de Brasília. A PMDF passou a bater nos manifestantes com golpes de cassetete chute e pontaés pelo menos três pessoas foram presos na 2ª Delegacia Policial da Asa Norte. Esta foi a quarto repressão da PMDF contra manifestantes desde a deflagração da Operação Caixa de Pandora, que levou a prisão o então governador José Roberto Arruda-ex-DEOcratas, que trouxe a tona o conhecido mensalão do DEMOcratas de Brasília.
Esse foi o cenário em que Rogério Rosso-PMDB, ex-aliado de Roriz e Arruda, foi secretário de Desenvolvimento Econômico e administrador de Ceilândia no último governo Roriz e na gestão de Arruda, presidiu a Codeplan, foi escolhido governador tampão do Distrito Federal até dia 31 de dezembro de forma indireta com 13 votos,(deputados: Aguinaldo de Jesus-PRB, Alírio Neto-PPS, Ailton Gomes-PR, Batista das Coopertativas-PRP, Benedito Domingos-PP, Benício Tavares-PMDB, Cristiano Araújo-PTB, Dr. Charles-PTB, Eurides Brito-PMDB, Geraldo Naves-sem partido, Pedro do Ovo-PRP, Rogério Ulysses-sempartido e Roney Nemer-PMDB), número mínimo necessário para que não houvesse segundo turno. O governador em exercício Wilson Lima-PR, recebeu quatro votos, dos distritais Jaqueline Roriz-PMN, Milton Barbosa-PSDB, Paulo Roriz-DEMOcratas e Raimundo Ribeiro-PSDB o candidato petista foi votado por seis dos parlamentares Chico Leite-PT, Eliana Pedrosa-DEMOcratas, Érika Kokay-PT, Paulo Tadeu-PT, Reguffe-PDT e Cabo Patrício-PT. O deputado Raad Massouh-DEMOcratas se absteve na votação.
Antes de iniciar o processo dois candidatos retiram suas candidaturas, Aguinal de Jesus-PRB e Messias de Souza-PCdoB.

Brasília, 18 de Abril 2010
Enilton Rodrigues

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Maioria dos brasilienses, 56,3% preferem Intervenção Federal em Brasília



Estar marcado para as 15:00h deste sábado dia 17 de Abril a eleição indireta do governador tampão do Distrito Federal, porém se dependesse do povo brasiliense essa eleição indireta não ocorreria, segundo constatou pesquisa realizada de 10 a 13 de abril pela consultoria O & P Brasil Opinião, Análise e Estratégia.
A consultoria perguntou a 1.200 eleitores de Brasília se “seria melhor o presidente Lula nomear um interventor para governar até 31 de dezembro ou os deputados distritais escolherem o novo governador”. Resultado:
56,3% dos entrevistados preferem a intervenção federal e apenas 35,4% aprovam a eleição indireta. Não souberam ou não quiseram responder à pergunta 8,3% dos entrevistados. Registrada no TSE em 9 de abril, a pesquisa tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Essa é a constatação de que o povo de Brasília não quer que empurrem de goela a baixa essa eleição indiretas e mostra também a falta de legitimidades dos eleitores desta eleição, os 24 deputados distritais. Dos dez candidatos incristos inicialmente seis foram homologadas e disputarão essa eleição indireta e sem legitimidade perante o povo do Distrito Federal. Além disso a Procuradoria Geral da República encaminhou nesta sexta-feira 16de abril ao Supremo Tribunal Federal parecer em que justifica as razões para que seu pedido de intervenção no Distrito Federal inclua o Legislativo local. Segundo o parecer, as investigações do suposto esquema de arrecadação e distribuição de propina no governo do Distrito Federal “apontam o envolvimento de mais de 26 deputados – entre titulares e suplentes – nas fraudes”. No documento, a PGR afirma que “a intervenção bastaria até a posse dos novos deputados eleitos, em 1º de janeiro de 2011. A PGR sugere ainda uma “restrição da pauta do Legislativo” que inclua “questões orçamentárias, aumento de gastos públicos, transferências de recursos e quaisquer assuntos relativos a servidores públicos bem assim prerrogativas ou vantagens dos membros do Legislativo, exceto se, a critério fundamentado do interventor, tratar-se de matéria urgente e relevante”.A intervenção no Legislativo do DF “tem por finalidade evitar novos desvios ou favorecimentos, além da correta aplicação dos gastos públicos, privilegiando o exercício da função fiscalizadora daquele Poder”. A Procuradoria Geral da República pediu a intervenção federal no Distrito Federal dia 11 de fevereiro, poucas horas depois de o Superior Tribunal de Justiça determinar a prisão do ex-governador do DF, José Roberto Arruda-ex-DEMOcratas, por ele ter tentado subornar uma testemunha do inquérito do mensalão do DEMOcratas de Brasília.

Os nomes:
Aguinaldo de Jesus-PRB-Deputado Distrital
Antônio Ibañez-PT-Foi secretário de Educação no governo de Cristovam Buarque-PT
Luiz Filipe Coelho-PTB-Subprocurador-geral da Procuradoria-Geral da República
Messias de Souza-PCdoB-Ex-secretário de Desenvolvimento Social do governo de Cristovam Buarque-PT
Rogério Rosso-PMDB-Foi secretário de Desenvolvimento Econômico e administrador de Ceilândia no último governo Roriz e, na gestão de Arruda, presidiu a Codeplan
Wilson Lima-PR-Governador em exercício do DF, alçado ao cargo porque estava na presidência da Câmara indicado por Arruda

Brasíla, 16 Abril 2010
Enilton Rodrigues

quarta-feira, 14 de abril de 2010

PSOL e as eleições - Popularizar o voto 50 (e o 500) será o desafio do partido




11/04/2010
Em vários estados do Brasil o PSOL já escolheu seus pré-candidatos aos governos estaduais. Neste sábado se encerrou o capítulo da escolha do pré-candidato da fórmula presidencial. No Rio de Janeiro se reuniram duas plenárias de delegados que haviam sido eleitos para a Conferência Nacional do PSOL. A maioria dos delegados se reuniram na sede do Sindicato dos Previdênciários, no bairro da Lapa, juntos com Heloísa Helena, Luciana Genro e 12 presidentes regionais do partido (MG, RS, RJ, GO, PE, RN, para citar alguns) na plenária em que estavam os apoiadores do Martiniano Cavalcanti. Outra parcela importante de delegados, em ligeira minoria númerica, era composta pelos apoiadores de Plínio de Arruda Sampaio e Babá, cuja plenária denominaram como Conferência e contava com uma forte maioria de delegados eleitos em SP.

Mas a escolha do candidato não ocorreu nestas plenárias. O Dirétorio Nacional reunido numa péssima data – 1 de abril – havia já decidido quando num ato arbitrário cassou as delegações do ACRE e o representante de Roraima. Como a retirada da candidatura de Babá a favor de Plínio era previsível – o que de fato ocorreu – a disputa entre Plínio e Martiniano era cabeça a cabeça. Uma maioria ocasional do Diretório resolveu a disputa a favor de Plínio ao cortar as duas delegações. Assim, Plínio na prática foi escolhido pelo Diretório.
Apesar do estatuto do PSOL definir que o candidato do partido deve ser escolhido numa Conferência – e de fato não existiu uma Conferência – Martiniano retirou seu nome da disputa para preservar a unidade do partido à medida que, na ausência de uma verdadeira Conferência, se inviabilizou a possibilidade de alterar a decisão do Diretório em fóruns internos do PSOL antes das eleições. Ao mesmo tempo os apoiadores de Martiniano estão desde ja demandando a realização de um Congresso partidário para renovar a direçao do partido que já nao está em sontonia com a vontade da maioria dos filiados. Nas próximas horas estará sendo divulgado o manifesto da maioria dos delegados que foram eleitos no qual se explica não apenas as razoes da renúncia de Martiniano mas se apresentam as propostas que devem nortear a ação partidária para que o PSOL avance como ferramenta dos trabalhadores e do povo, como instrumento de organização e luta pela melhoria das condições de vida e por um projeto alternativo para o Brasil.

Agora, o desafio do partido é sair com força e energia às ruas e se vincular cada vez mais ao povo, que é o lugar do PSOL. Durante o ano, o desafio eleitoral prioritário será, sem dúvida, eleger Heloísa Helena como senadora pelo Estado de Alagoas (neste caso o voto é o 500. Helçoísa enfrentará a turma de Collor e Renan, apoiador por Lula. Junto com a prioridade da eleição de nossa principal expressão pública, temos a tarefa da reeleição dos deputados federais e estaduais, em seguida a busca de novos mandatos junto com a campanha dos governadores – nós do sul vamos jogar todas a nossas forças em Pedro Ruas) e do presidente . Em todo o país, de norte a sul, para todos os cargos, o partido irá crescer chamando a população a votar no 50 ( e no 500) e a construir uma alternativa de esquerda e democrática. Com o PSOL mais forte, com Heloísa Helena de volta ao Senado, os filiados e militantes escolherâo soberanente os próximos passos deste partido cuja vocação é ganhar influência junto ao povo como único caminho para mudar o Brasil.

fonte: robertorobaina.blogspot.com

terça-feira, 13 de abril de 2010

Arruda é solto. Tava demorando!



13/04/2010
O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda já está na sua mansão, em Brasília, após passar dois meses na cadeia da Polícia Federal. Envolvido em corrupção, no chamado mensalão do DEMOcratas, Arruda foi preso por obstruir a investigação. “Se ele estava obstruindo a investigação, isso não é uma espécie de confissão? Afinal, se alguém é acusado injustamente tem o maior interesse na investigação”, ponderou a deputada Luciana Genro-PSOL-RS, em seu blog. “Mas esse tipo de raciocínio passa ao largo do nosso Poder Judiciário.”

Arruda deixou o prédio da Superintendência da Polícia Federal no início da noite de segunda-feira, 12, onde estava preso desde 11 de fevereiro. Ele foi solto à tarde, por decisão do STJ – Superior Tribunal de Justiça. O placar da votação foi de oito votos pela liberdade contra cinco pela manutenção da prisão. Dois não compareceram à votação.

Vale lembrar também que Arruda, mesmo flagrado em vídeos recebendo propina – que depois disse ser uma doação para compra de panetones a pessoas carentes no Natal -, não foi afastado do cargo de governador por corrupção, e sim por infidelidade partidária. Como disse Luciana, “a surpresa não foi realmente o fato de Arruda ter sido solto, mas sim o fato dele ter ficado na cadeia por dois meses”.

fonte: www.lucianagenro.com.br

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Arruda, Roriz e PT estão representados na eleição indireta para governador do Distrito Federal


A capital do Brasil enfrenta desde novembro de 2009 uma grave crise política com a deflagração da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. A PF investiga um esquema de corrupção via propina no governo do Distrito Federal que envolve todo o primeiro escalão do então governo Arruda-DEMOcratas, que foi afastado e posteriormente preso por tentativa de suborno de uma testemunha do mensalão do DEMOcratas do Distrito Federal, dias depois de assumir o vice-governador Paulo Octávio então DEMOcratas renunciou ao cargo de governador, assumindo interinamente o então presidente da Câmara Legislativa e aliado politico de Arruda, Wilson Lima-PR. Durante a prisão, Arruda teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal-TRE-DF por infidelidade partidária, ao não recorrer da decisão o cargo de governador do DF ficou vago. Hoje 07 de Abril de 2010 encerrou o prazo para inscrições de chapas as eleições indiretas(só os 24 deputados distritais votarão) para governador e vice governador tampão, marcadas para dia 17 de Abril, inscreveram-se dez chapas, onde Arruda terá sua representação com a candidatura do governador interino Wilson Lima e como vice Jucivaldo Salazar pelo Partido da República-PR, o grupo politico de Roriz será representado pelo ex-administrador de Ceilândia do governo Roriz, Rogério Rosso e Ivelise Maria Longhi Pereira da Silva pelo PMDB o PT indicou para Governador Antônio Ibañez Ruiz e vice-governador Cícero Batista Araújo Rola. Esse é mais um capítulo da grotesca e repugnante novela da corrupção em sucessivos governos do Distrito Federal, que se arrasta desde o tempo de Joaquim Roriz, cuja folha corrida e processos a que responde também envergonham as pessoas de bem e honestas de Brasília, sem que ninguém tenha sido punido e preso, com excessão de Arruda e parte do bando criminoso por ele chefiado. Diante da gravidade da situação vivida na politica do Distrito Federal essa manobra da eleição indireta não resolverá a grave crise instalada na capital da república, essa é uma forma de mais uma vez jogar para baixo do tapete a sujeira da corrupção, por isso a intervenção federal no DF se faz necessária, obedecidas as condições da legalidade e da moralidade, garantindo que o interventor permaneça o tempo necessário para expurgar do governo todos os esquemas fraudulentos e possa antecipar as eleições diretas em Brasília, esse também é o sentimento de toda a nação brasileira e não só dos habitantes da Capital do país frente a esse esquema vergonhoso de corrupção, a intevenção federal pressionaria para uma saída emergencial que impeça de imediato em Brasília a continuidade da roubalheira e da corrupção,essa eleição indireta causará mais indignação e revolta do povo honesto e trabalhador do Distrito Federal.

Concorrem às eleições indiretas do Distrito Federal:
1-Partido Verde-PV

Governador-Nilton Reis

Vice-governador-Deborah Achcar

2-Partido Social Liberal-PSL/Partido Trabalhista Nacional-PTN

Governador-Newton Lins Teixeira de Carvalho

Vice-Paulo Fernando Santos de Vasconcelos

3-Partido Comunista do Brasil-PCdoB

Governador-José Messias de Souza

Vice-Olgamir Amancia Ferreira

4-Partido Social Democrata Cristão-PSDC

Governador-Virgílio Macedo

Vice-Waldenor Paraense

5-Partido Republicano-PR

Governador-Wilson Lima

Vice-Jucivaldo Salazar

6-Partido Trabalhista Brasileiro-PTB

Governador-Luiz Filipe Ribeiro Coelho

Vice-João Estênio Campelo Bezerra

7-Partido Republicano Brasileiro-PRB

Governador-Aguinaldo Silva de Oliveira

Vice-Roberto Wagner Monteiro

8-Partido dos Trabalhadores-PT

Governador-Antônio Ibañez Ruiz

Vice-Cícero Batista Araújo Rola

9-Partido Renovador Trabalhista Brasileiro-PRTB

Governador-José Carlos Pereira

Vice-Simone Ribeiro Nunes

10-Partido do Movimento Democrático Brasileiro-PMDB

Governador-Rogério Schumann Rosso

Vice-Ivelise Maria Longhi Pereira da Silva


Brasília, 07 de Abril de 2010.
Enilton Rodrigues

terça-feira, 6 de abril de 2010

Teoria do valor-trabalho


Karl Marx:"O valor como tal não tem outro material que não seja o próprio trabalho"

Filosofia e Questões Teóricas-*Sergio Granja

29 de março de 2010

O Capital pode ser considerado, a justo título, a obra prima de Marx. Nele, a teoria do valor-trabalho constitui a pedra de toque da crítica marxista da economia política. Numa carta a Engels, de 1858, Marx esboça um esquema do projeto de seu livro e pontifica que o valor de uma mercadoria é, em substância, a quantidade de trabalho socialmente necessária para a produção dessa mercadoria.

"Valor. Reduzido pura e simplesmente à quantidade de trabalho. O tempo como medida do trabalho. O valor de uso, quer seja do ponto de vista subjetivo, da usefulness [utilidade] do produto, ou do ponto de vista objetivo, da sua utility [possibilidade de utilização] - o valor de uso então aparece aqui somente como condição material pré-existente do valor, que provisoriamente se situa completamente fora da determinação da forma econômica. O valor como tal não tem outro material que não seja o próprio trabalho. Essa definição do valor, dada de início por alusão em Petty [A Treatise of Taxes and Contributions, London, 1667, p. 101] e depois claramente deduzida em Ricardo [On the Principles of Political Economy and Taxation, London, 1821, p. 420], é a forma mais abstrata da riqueza burguesa. Ela já supõe em si mesma : 1º) a abolição do comunismo natural (Índia etc.); 2º) a supressão de todos os modos de produção não evoluídos e pré-burgueses, nos quais a troca ainda não domina a produção em toda a sua amplitude. Se bem que abstração, é uma abstração histórica à qual se deve proceder precisamente sobre a base de uma evolução econômica determinada da sociedade. Todas as objeções a essa definição do valor são tomadas emprestadas a relações de produção menos desenvolvidas, ou então repousam sobre a confusão que consiste em opor a esse valor, sob essa forma abstrata e não desenvolvida, determinações econômicas mais concretas, nas quais o valor foi abstraído, e que, por outro lado, pode em seguida ser considerado como o desenvolvimento ulterior destas. Dada a obscuridade dos próprios senhores economistas sobre o ponto de saber quais são as relações dessa abstração com as formas ulteriores mais concretas da riqueza burguesa, essas objeções eram mais ou menos justificadas. Dessa contradição que opõe as caracterírticas gerais do valor a sua existência material numa mercadoria determinada, etc. - essas características gerais sendo idênticas às que aparecem mais tarde no dinheiro -, resulta a categoria do dinheiro."[i]

Sobre o dinheiro como medida de valor, disserta:

"O valor da mercadoria, traduzido em dinheiro, é o seu preço, que provisoriamente aparece sob uma forma que só se diferencia do valor dessa maneira puramente formal. De acordo com a lei geral do valor, uma quantidade determinada de dinheiro exprime uma certa quantidade de trabalho materializado. Entanto o dinheiro seja uma medida, é indiferente que seu próprio valor seja variável."[ii]

Em nova carta a Engels, de 1862, Marx critica as abordagens sobre o valor em Smith[iii] e Ricardo[iv].

"Ricardo confunde valores e preços de revenda. Ele crê então que, se uma renda absoluta existisse (quer dizer, uma renda independente da fertilidade diferente das categorias de solos), os produtos agrícolas seriam constantemente vendidos acima de seu valor, porque vendidos acima de seu preço de revenda (capital avançado + lucro médio). O que derrubaria a lei fundamental. Ele nega então a existência da renda absoluta e só aceita a renda diferencial.

"Mas sua assimilação do valor das mercadorias ao preço de revenda das mercadorias é totalmente falsa e retomada tradicionalmente de A.Smith."[v]

Em outra carta a Engels, de 1867, Marx apresenta um esboço de como o valor se transforma em preço.

"Como o valor da mercadoria se transforma em seu preço de produção, no qual:

"1. O trabalho aparece como inteiramente pago sob a forma do salário;

"2. O sobre-trabalho, em contrapartida, no qual a mais-valia toma a forma de uma majoração de preços sob o nome de juros, de lucro, etc., que vem se acrescentar ao preço de revenda (= preço da fração de capital constante + salário).

"A resposta a esta questão pressupõe:

"I. Que a transformação, por exemplo, do valor da jornada da força de trabalho em salário, ou preço da jornada de trabalho, fosse exposta de início. Isso se faz no capítulo V desse volume [capítulo 17, seção 6 de O Capital].

"II. Que a transformação da mais-valia em lucro, a do lucro em lucro médio, etc. estivesse exposta. Isso pede antes a exposição do processo de circulação do capital, depois o da rotação do capital, etc., que têm aí um papel. Essa questão só pode então ser exposta no terceiro livro ( o volume II conterá os livros 2 e 3). Lá se verá de onde provém a maneira de pensar dos burgueses e dos economistas vulgares, quer dizer, que ela provém de que, em seus cérebros, é apenas a forma fenomenal imediata das relações que se reflete, e não as relações internas. Por sinal, se esse fosse o caso, de que serviria ainda uma ciência?"[vi]

O Capital enseja muitas cartas de Marx para Engels. Numa delas, Marx expõe o que julga ser o melhor do livro.

"O que há de melhor no meu livro é: 1) (e é sobre isso que repousa toda a compreensão dos fatos) a colocação em destaque, desde o primeiro capítulo, do duplo caráter do trabalho, que se exprime em valor de uso ou em valor de troca; 2) A análise da mais-valia, independentemente de suas formas particulares: lucro, juros, renda fundiária, etc."[vii]

Na seguinte, Marx expõe o que ele distingue como os três elementos fundamentalmente novos de sua obra.

"1) Em oposição a toda a economia anterior que de cara trata como dados os fragmentos particulares da mas-valia com suas formas fixas de renda, lucro e juros, eu trato de início da forma geral da mais-valia, na qual tudo ainda está misturado, por assim dizer, numa solução.

"2) Uma coisa bem simples escapou a todos os economistas sem excessão, é que, se a mercadoria tem o duplo caráter de valor de uso e valor de troca, é preciso que o trabalho representado nessa mercadoria também possua esse duplo caráter; entanto que apenas a análise do trabalho sem frase, tal como se encontra em Smith, Ricardo, etc., fatalmente esbarra em toda a parte com problemas inexplicáveis. Esse é de fato todo o segredo da concepção crítica.

"3) Pela primeira vez, o salário é apresentado como a forma fenomenal irracional de uma relação que essa forma dissimula, e isso sob as duas formas do salário: salário por hora e salário por produto."[viii]

Marx acrescenta aí um comentário interessante sobre a regulação da produção pelo tempo de trabalho socialmente disponível.

"Na realidade, nenhuma forma de sociedade pode impedir que de uma maneira ou de outra o tempo de trabalho disponível da sociedade regule a produção. Mas entanto que essa regulação não se cumpra por meio de um controle direto e consciente da sociedade sobre o seu tempo de trabalho - o que só é possível com a propriedade social -, mas pelo movimento dos preços das mercadorias, nós continuamos na situação que você descreveu de maneira tão pertinente nos Deustch-Französische Jahrbücher [Anais Franco-alemães]."[ix]

A correspondência de Marx e Engels é rica em análises e conclusões sobre a economia política do capitalismo. Não se trata apenas de cartas de Marx para Engels, mas também de Engels para Marx e de um e do outro para terceiros. Nesses textos, a teoria do valor-trabalho ocupa uma posição central. Aqui tratamos apenas de apresentar rapidamente o tema. Aqueles que queiram se aprofundar na matéria, que é essencial para a compreensão do marxismo, devem se preparar para leituras às vezes áridas e se empenhar em estudos que demandam um esforço de maior fôlego. Entre as obras a serem estudadas, além dos três volumes de O Capital, são importantes, entre outras, Teorias da Mais-valia e Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie [Elementos fundamentais para a crítica da economia política]. Ver, a esse respeito, o ensaio de Carlos Nelson Coutinho: A gênese do Capital, segundo Rosdolsky.

Notas:

[i] Carta de Marx a Engels, 2 de abril de 1858 (Correspondance, p. 100-101)
[ii] Carta de Marx a Engels, 2 de abril de 1858 (Correspondance, p. 101)

[iii] Adam Smith (1723-1790) , economista inglês que é um dos grandes representantes da economia política burguesa clássica.

[iv] David Ricardo (1772-1823), economista inglês que é um dos maiores representantes da economia política burguesa clássica.

[v] Carta de Marx a Engels, 2 de agosto de 1862 (Correspondance, p. 127)

[vi] Carta de Marx a Engels, 26 de junho de 1867 (Correspondance, p. 191)

[vii] Carta de Marx a Engels, 24 de agosto de 1867 (Correspondance, p. 192-193)

[viii] Carta de Marx a Engels, 8 de janeiro de 1868 (Correspondance, p. 198-199)

[ix] Carta de Marx a Engels, 8 de janeiro de 1868 (Correspondance, p. 199)

Bibliografia:

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Correspondance (1844-1895), Moscou: Editions du Progrès, 1971.

* Citações traduzidas livremente do francês.

*Sergio Granja é pesquisador da Fundação Lauro Campos

fonte:www.socialismo.org.br

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Novo Caderno do Mandato está no ar!


01 Abril 2010
Já está no ar o Caderno do Mandato da deputada federal Luciana Genro-PSOL-RS, que inclui as propostas relativas aos anos de 2009 e 2010. O documento relaciona ainda todos os projetos de lei, iniciativas e as principais frentes parlamentares das quais Luciana participou.

O material está na gráfica da Câmara dos Deputados e deve ter seu formato impresso disponível nas próximas semanas. Quem quiser conferir a versão em PDF, basta acassar o link Mandato e baixar.

Boa leitura!

Fonte:www.lucianagenro.com.br